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sábado, 21 de abril de 2018

Pérez Esquivel: Universidade tem de formar para a liberdade


Aplaudido a todo momento por um auditório lotado, o Prêmio Nobel da Paz (1980) Adolfo Pérez  Esquivel, defendeu na manhã do dia 18/4 uma educação superior comprometida com a liberdade e os direitos humanos em aula magna ministrada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).  Estudantes, servidores e professores todo o auditório, ficaram de pé e sentaram no chão para ouvir as palavras do ativista que faz parte da história da defesa dos direitos humanos na América Latina.

"A universidade tem a capacidade de transmitir consciência crítica e valores e de formar homens e mulheres para a liberdade, e não escravos de um sistema. Esse é o desafio das universidades", disse o argentino, que é professor da Universidade de Buenos Aires. "A universidade tem de ser rebelde frente às injustiças e ao sofrimento do povo. Temos de trabalhar para a vida e não para a morte". 
Pérez Esquivel lembrou a militância na época das ditaduras militares da América Latina, ao lado do arcebispo católico Dom Helder Câmara e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que classificou como "um preso político". "Lula não é um delinquente, é um preso político", afirmou Esquivel.
 
 
O Nobel da Paz também destacou intelectuais brasileiros como Paulo Freire, Frei Beto e Leonardo Boff. "Paulo Freire marcou muitíssimo quando desenvolveu a Pedagogia do Oprimido, com a educação como prática de liberdade, que levou a um movimento muito forte em todo o continente."

 
O argentino afirmou à plateia que se considera um sobrevivente e, como tal, sente a responsabilidade de transmitir memória às novas gerações. "Os povos que não têm memória desaparecem.”
 
Pérez Esquivel defendeu que a democracia é uma construção que requer unidade e diversidade e voltou a avaliar que as democracias latino-americanas estão em perigo. "Não há democracia perfeita. Não somos uma sociedade de anjos, somos uma sociedade de homens e mulheres, com nossas luzes e sombras", disse. Ele avaliou que é preciso ter democracias mais participativas e menos representativas. 
 
O reitor da UFRJ, Roberto Leher, fez a abertura e o encerramento da aula magna e considerou que o dia foi histórico para a instituição. Em sua fala, o reitor defendeu que a universidade pública brasileira deve ser "profundamente comprometida com os direitos humanos".
 
“O sentido da produção do conhecimento deve estar profundamente comprometido com a ética pública. Produzimos conhecimento para tornar a vida das pessoas melhor." O reitor também destacou que "a produção de conhecimento a favor da vida traz tensões. E vivemos um momento de grande tensão no país, um momento de grande incerteza.


Fonte: Agência Brasil, em 18/04/2018.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

O papel do educador diante da inversão de valores e comportamentos no mundo infanto-juvenil *


Educar tem sido missão cada vez mais difícil nos dias atuais. Não só pelos muitos recursos digitais e tecnológicos que parecem 'roubar' a infância das crianças, como pelos comportamentos expostos na mídia e em redes sociais que as hipnotizam com conteúdos que estimulam o consumismo, o desperdício e as 'trolagens' entre as pessoas. O mundo virtual vem progressivamente confundindo seus limites com os do mundo real no cotidiano de crianças e adolescentes. O celular e a internet têm mudado a forma de se relacionar com a família, os amigos e os professores. Como convencer uma criança de 5, 6 anos, por exemplo, de que determinado comportamento é errado quando ela assiste na internet adultos adotando o mesmo comportamento como se fosse algo legal? E, pior, o tal 'adulto' ainda é idolatrado e muitas vezes detém boa posição social.

Essa inversão de valores chega às escolas, interfere diretamente no comportamento das crianças em sala de aula e, consequentemente, na relação que esse aluno tem com os demais colegas e com seus educadores. O professor, que detém autoridade, vem enfrentando cada vez mais dificuldades para impor disciplina e respeito e começa a lidar com sérios problemas, como o aumento da agressividade infantil, a transgressão de regras e a violação dos direitos alheios, entre outras questões. Diante de tal situação, como o professor deve agir para evitar a disseminação de atitudes agressivas e sem limites, passando do âmbito individual de cada aluno para o coletivo?

É verdade que sempre houve situações-problema envolvendo alunos em sala de aula, mas a questão vem tomando dimensões assustadoras. Primeiro, é preciso entender o porquê de tais comportamentos. A mídia e as redes sociais são parte do problema, mas eles podem ter origem também na falta ou fragilidade de referências morais e afeto, transtornos familiares como violência doméstica ou dificuldade dos cuidadores em estabelecer limites e regras; além de conflitos emocionais, barreiras socioeconômicas ou até distúrbios cognitivos ou mentais. Por isso, a forma como o educador lida com os conflitos tem papel crucial na formação emocional da criança e do adolescente. Se o professor grita, bate-boca ou resolve as adversidades de forma agressiva, o aluno tende a reproduzir tais atitudes. Não é deste modo que ele exercerá a sua autoridade. Não mais.

Mas, diante da multiplicidade de causas e consequências, é insensato buscar receitas mágicas. O que deve ser buscado gradualmente é a construção e o fortalecimento da confiança e do respeito por meio do diálogo. É difícil? Muito! No entanto, é preciso se aproximar do aluno, adotando uma postura calma, porém assertiva, dando a ele a possibilidade de expressar seus sentimentos, seus problemas e falar sobre seus atos. Não ignore o que a criança sente ou o que desencadeou aquela atitude agressiva ou desrespeitosa. Estimular o diálogo é dar a ela a oportunidade de se explicar e se retratar, sempre valorizando seus esforços positivos, como manifestações de afeto e senso de responsabilidade; e potencializando a autoestima que o encoraja a superar barreiras. Os debates em grupo também têm seu valor. Promover atividades e brincadeiras criativas que permitam a interação e a reflexão em torno de situações e comportamentos também ajudam a desenvolver a consciência do coletivo sobre limites e boas condutas, além de promover o envolvimento das crianças e jovens na construção de soluções. 

A relação escola-família também é de suma importância. De nada adianta a escola reunir esforços para 'civilizar' uma criança se a família não trilhar o mesmo caminho. Por isso, todos os esforços devem ser feitos para aproximar a escola dos pais, a fim de que todos os problemas envolvendo o aluno possam ser debatidos em conjunto na busca de melhorias, não só do desempenho escolar, mas também em torno de comportamentos e hábitos, para que se construa assim a inteligência emocional tão necessária ao convívio em sociedade.

Os educadores têm uma missão importantíssima e fundamental na construção de um mundo mais solidário. Não só em casa, mas também na escola, se aprendem valores, por meio da convivência entre as crianças – já tão diferentes entre si –, e os adultos. É preciso valorizar a atuação do professor enquanto agente transformador, peça indispensável no desenvolvimento emocional e cognitivo dos alunos. Para tal, é necessário que a Escola e o Poder Público se comprometam a dar a eles condições adequadas de trabalho para que a complexidade de sua profissão e os desafios a que são submetidos diariamente não desmotivem esses educadores no pleno desenvolvimento do processo educativo.
 

Luis Antonio Namura Poblacion é Presidente da Planneta (www.planneta.com.br); Engenheiro Eletrônico pelo ITA – Instituto Tecnológico de Aeronáutica; com especialização em Marketing e Administração de Empresas e MBA em Franchising pela Louisiana State University e Hamburguer University – Mc Donald´s. Atua na área de educação há mais de 35 anos.

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* Articulando esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do coletivo de educadores.


quarta-feira, 18 de abril de 2018

Manual de defesa contra a censura *

A visibilidade adquirida pelo movimento Escola sem Partido (EsP) está diretamente vinculada ao fortalecimento de uma ideologia conservadora na sociedade brasileira. Embora exista desde 2004, foi somente a partir de 2015 que o EsP começou a protagonizar discussões em nível nacional sobre o que denomina “doutrinação ideológica” nas instituições de ensino. Os idealizadores do movimento defendem que professores e livros didáticos adotariam posições orientadas à esquerda, sendo necessário modificar a Lei n. 9.493/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB) para extirpar do currículo escolar temas que seriam responsabilidade exclusiva da família: política e desigualdade social, mas também questões de gênero, sexualidade, raça e direitos humanos, que na concepção do EsP também constituiriam agendas das esquerdas. A verdadeira intenção do movimento é impedir que diferentes interpretações e compreensões do mundo sejam debatidas nas instituições de ensino, interditando o dissenso que caracteriza sociedades e regimes democráticos.
Expor a hipocrisia do EsP – pois não há nada mais “ideológico” do que demonizar a ideologia – tem sido uma importante forma de resistência dos professores da educação básica e superior, dos sindicatos de trabalhadores da educação e das entidades científicas, que têm se posicionado na defesa de dois princípios constitucionais que fundamentam a educação no Brasil: a liberdade de ensinar e aprender (Art. 206, II) e o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas nas instituições de ensino (Art. 206, III). Embora a interrupção da tramitação no Senado do Projeto de Lei n. 193/2016, que propunha incluir o EsP no texto da LDB, seja uma vitória dos cidadãos e instituições contrários ao movimento, a luta continua nas escolas, nas instituições de ensino superior, no sistema de justiça e nas casas legislativas de estados e municípios onde ainda tramitam projetos de lei fundados na ideologia do EsP e flagrantemente inconstitucionais.
Visando organizar um conjunto de orientações político-pedagógicas e jurídicas para que escolas e professores possam exercer suas funções com base nos princípios expressos na Constituição Federal e na LDB, a Ação Educativa, a Rede Escola Pública e Universidade, o coletivo de comunicação QuatroV, o Instituto Pólis, o Coletivo de Advogad@s de Direitos Humanos (CADHu) lançaram uma campanha de crowdfunding para a produção de um Manual de defesa para professores contra a censura, com previsão de lançamento para junho de 2018.
O início da divulgação da campanha nas redes sociais provocou algum frissonentre os integrantes do EsP, a ponto de seu coordenador, o procurador paulista Miguel Nagib, ter gastado algumas horas na timeline da revista Nova Escola vociferando contra a iniciativa do Manual. As postagens do advogadosão uma amostra do que apresenta a página do EsP: uma enxurrada sensacionalista de áudios e vídeos de professores exibindo posições políticas de esquerda, supostamente gravados em escolas, e imagens de livros escolares com conteúdos relacionados à sexualidade.
No mundo simplório do EsP, um punhado de gravações é suficiente para concluir que os 2,2 milhões de professores que atuam na educação básica no país são doutrinadores de crianças e jovens. No mundo real, o Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, o país que mais mata travestis e transexuais. Na cidade de São Paulo, a cada 12 horas é registrado um ataque de ódio contra negros, gays, imigrantes ou por motivações religiosas. Dado que a relação entre alunos e professores no Brasil é mais antiga do que a própria instituição da educação formal no país, tudo indica que a “doutrinação” denunciada pelo EsP é uma projeção de suas próprias veleidades doutrinadoras. Onde existe liberdade de cátedra não é fácil doutrinar. Em face dessa obviedade, afirmar que todo mundo é doutrinador é, no fundo, uma forma de ser contrário à liberdade de ensinar e de aprender. O EsP deseja uma escola com um único partido: o seu.
Impelidas por esse pensamento autoritário, são várias as diligências para cercear a liberdade de ensinar e educar nas escolas e universidades. As tentativas de assédio mais rumorosas são certamente as que envolvem cidadãos que ocupam cargos ou representação pública, como o caso recente do Ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), que questionou a oferta da disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil” no Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, num claro desrespeito à autonomia universitária, outro princípio constitucional (Art. 207). Em 2016, foi bastante comentado o caso do vereador paulistano Ricardo Nunes (MDB), que encaminhou notificação à Escola Municipal Desembargador Amorim Lima exigindo a suspensão das atividades da “Semana de Gênero” organizada pela comunidade escolar. Nesses dois casos de repercussão, diversas ações de resistência foram articuladas. A Emef Amorim Lima não abriu mão de suas atividades, e a conduta do ministro da Educação está sendo investigada pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República.
No entanto, não se tem a clara dimensão das ações de censura, intimidação e perseguição individual a professores no país. Quantos professores no Brasil já receberam ameaças na forma de notificações extrajudiciais, sem saber que elas não têm qualquer efeito judicial? Quantos replanejam as suas aulas de Ciências para não ter “problemas” com as crenças religiosas das famílias de seus alunos? Quantos já deixaram de chamar as coisas pelos seus nomes: ditadura, tortura, racismo, preconceito de classe, LGBTfobia, machismo, lutas sociais? O Manual foi pensado para combater essa perseguição, que explora a fragilidade individual dos professores para infundir um clima de medo e autocensura nas escolas – para calar a nossa boca. Os efeitos mais perversos do delírio chamado Escola sem Partido infelizmente não aparecem nos jornais.
Não existe neutralidade na atividade educativa. Quando um professor discute determinado conteúdo com os estudantes, estão implícitas na discussão as suas concepções de mundo. Todavia, é um equívoco pensar que a escola, nos moldes republicanos, pode definir sozinha, sob a forma de doutrinação, os posicionamentos ideológicos dos estudantes. Primeiro porque nela convivem diferentes formas de pensar e compreender o mundo; segundo porque muitos outros espaços contribuem para a construção de eventuais ideologias e posicionamentos políticos dos estudantes: a família, o grupo social, a mídia, as redes sociais etc. Assim, quando os estudantes leem um texto ou participam de uma aula, o fazem baseados em formas de pensar o mundo influenciadas por muito mais do que seus professores e livros didáticos.
As instituições educativas não têm e não devem ter partidos, no sentido de comungarem um único posicionamento político e ideológico. É papel das escolas formar pessoas capazes de apreender o mundo de maneira complexa, e daí a importância de lutarmos pela garantia do “pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas” que ampara a “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”, e o “respeito à liberdade e apreço à tolerância”, princípios consagrados na LDB. A produção de um Manual de defesa contra a censura nas escolas que seja claro e acessível aos professores é a nossa contribuição para conter a escalada do pensamento autoritário que toma a docência como degenerescência e que tenta empurrar a educação brasileira para muito abaixo da linha da mediocridade.
Para contribuir com o Manual e conhecer outros detalhes, você pode acessar esse link.
Fonte: Le Monde Diplomatique Brasil, Abril 2018. Por Fernando Cássio é professor da UFABC e membro da Rede Escola Pública e Universidade; e Márcia Jacomini é professora da Unifesp (campus Guarulhos) e membro da Rede Escola Pública e Universidade.
* Articulando esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do coletivo de educadores.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Tutor que ensina no sistema EAD é professor, mesmo sem registro no MEC

A falta de registro profissional no Ministério da Educação não impede o reconhecimento da condição de professor nas relações trabalhistas se há provas do exercício do cargo. Com esse entendimento, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) reconheceu que o monitor de uma instituição de ensino exercia atividade de professor.

O autor disse que, embora fosse enquadrado como ''tutor presencial'' em aulas ministradas pelo método de ensino a distância (EAD), atuava como outros professores, aplicando e corrigindo as provas, apesar de não ser responsável por elaborar os exames.

Ele relatou ainda que exibia vídeos em sala de aula, com duração de aproximadamente uma hora, e fica disponível para solucionar dúvidas, complementar o conteúdo e aplicar tarefas.

O autor disse que orientava o trabalho de conclusão de todos os alunos de suas turmas, juntando ao processo material didático das matérias de sua responsabilidade e mensagens eletrônicas enviadas aos estudantes, com orientações. Por isso, cobrou a retificação da função anotada na carteira de trabalho e o pagamento das diferenças salariais.

A ré disse não ter nenhum professor contratado na capital gaúcha. Sustentou que os alunos se reúnem em uma sala para assistir ao vídeo da aula e que, logo após, o monitor corrige provas e aplica ''atividades definidas pelo professor titular (sediado em Campinas-SP) e orienta os alunos''. Segundo a faculdade, a atividade de tutor tem natureza de auxílio, e não de titularidade.

O juiz Daniel Souza de Nonohay se convenceu de que as atividades atribuídas ao cargo de tutor eram, na verdade, desdobramentos daquelas inerentes e indissociáveis da função de professor.

A contratação de diversos ''tutores'', na percepção do julgador, foi apenas uma manobra utilizada pela reclamada para ''contornar'' o enquadramento dos seus empregados como professores, evitando o reconhecimento dos direitos inerentes à categoria profissional dos professores.

''Menciono, por fim, que a inexistência do registro do reclamante junto ao Ministério da Educação não é óbice ao reconhecimento da função pretendida. Tendo o empregado exercido as funções inerentes ao cargo de professor, o mero descumprimento de requisito formal não se sobrepõe à verdade dos fatos, sendo aplicável à espécie o princípio da primazia da realidade'', escreveu na sentença.

O relator do recurso na 4ª Turma do TRT-4, desembargador André Reverbel Fernandes, confirmou os fundamentos da sentença, lembrando que o autor é formado em Administração de Negócios Internacionais e ainda faz pós-graduação em Gestão de Projetos. .

''Conclui-se que o autor trata-se (sic) de profissional capacitado, com formação, responsabilidades e tarefas compatíveis com a função de professor. Observa-se que o disposto no § 2º do art. 2º, da Lei 11.738/2008 não diferencia, para fins de enquadramento na função de magistério, as atividades de docência e as de suporte pedagógico à docência'', definiu o relator, em voto seguido por unanimidade.

Fonte: Revista Conjur, em 02/04/2018.


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Percepção do brasileiro sobre qualidade do ensino piora

Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada em parceria com o movimento Todos Pela Educação, aponta que 26% dos entrevistados consideram o ensino no nível médio do país como ruim ou péssimo. Em 2013, quando levantamento semelhante foi feito, o percentual era de 15%. No nível fundamental, o percentual passou de 18% para 27%.

O percentual dos que consideram o ensino médio como ótimo ou bom caiu de 48% para 31% e no ensino fundamental o percentual passou de 50% para 34%.

Segundo a pesquisa, 12% dos brasileiros acreditam que o aluno do ensino médio das escolas públicas está bem preparado para se inserir no mercado profissional e 23% dizem que está despreparado. A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira - Educação Básica foi realizada pelo Ibope Inteligência e ouviu 2 mil pessoas entre 15 e 20 de setembro do ano passado em 126 municípios.

De acordo com os dados, aumentou de 61% para 74% o percentual dos que concordam totalmente que um ensino de baixa qualidade é prejudicial para o desenvolvimento do país. A pesquisa aponta também que 81% das pessoas concordam que o problema da educação no país podem ser atribuídos à má utilização das verbas destinadas ao setor.

Os entrevistados deram notas para as condições gerais das escolas públicas de ensino fundamental e médio. Entre 10 fatores avaliados, em uma escala de 0 a 10, as notas médias variam de 3,7 a 6,3.

A segurança nas escolas obteve a pior média na avaliação da população sobre as condições gerais das escolas públicas (3,7). O material didático digital, o acesso a computador com internet e as atividades extracurriculares também estão entre os itens com notas mais baixas.

Entre as principais ações apontadas para melhorar o desempenho dos alunos do ensino básico público foram apontadas as seguintes iniciativas: equipar melhor as escolas, ações para estimular a participação dos pais na cobrança por uma boa escola, ações para aumentar a segurança nas escolas e para melhorar o sistema de ensino.

Também foram citadas a necessidade de aumentar o salário dos professores e elevar o número de docentes, além de ações para melhorar a formação docente.

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério da Educação informou que não costuma se posicionar sobre estudo que não seja oficial.


Fonte: Agência Brasil, em 03/04/2018.

sábado, 14 de abril de 2018

“Prevenção das Dificuldades de Aprendizagem na Educação Infantil”

É com satisfação que apresentamos  e convidamos para o lançamento do livro intitulado  “Prevenção das Dificuldades de Aprendizagem na Educação Infantil”, das autoras Fga. Eny Léa Gass e Fga. Mariângela Stampa. Contamos com sua presença.
Um abraço e até lá! 

  

quarta-feira, 11 de abril de 2018

XIV Congresso Brasileiro de Direito Educacional


Nos dias 16 e 17 de abril, a Uninter recebe profissionais do Direito de todo país no XIV Congresso Brasileiro de Direito Educacional, realizado pela Associação Brasileira de Direito Educacional (Abrade). O evento acontece no Campus Garcez do Centro Universitário Internacional Uninter e conta com o apoio do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP). As inscrições são gratuitas para os associados da Abrade e têm custo de R$150 para profissionais e R$50 para universitários.

Durante os dois dias de encontro, haverá painéis e palestras que discutirão os aspectos fundamentais do Direito e da educação do atual contexto brasileiro, além de debater caminhos para a superação das consequências dos desgastes políticos que afetam o ensino. Para Shekying Ling Ramos, gerente jurídico do Centro Universitário Internacional Uninter, o encontro pode ajudar profissionais a buscar por mais especialização na área, ainda pouco explorada. “O Paraná é um celeiro de educação, mas não temos número expressivo de especialistas na área”, explica.

O encontro tem como público-alvo os magistrados e membros do Poder Judiciário, advogados, procuradores, promotores e equipes jurídicas, diretores e gestores de escolas de educação básica, superior e universidades corporativas. Também podem participar entidades sindicais, diretórios estudantis e associações, secretários municipais e estaduais de educação, equipes de organismos públicos e ONGs, conselheiros de Conselhos de Educação e demais estudiosos das relações juspedagógicas.

Bullying: como as Instituições de Ensino Superior (IES) devem se posicionar?

A adolescência é considerada a fase em que há maior registro de casos de bullying. Só em Curitiba quase 60% dos alunos do ensino fundamental afirmam já ter sido alvo da prática, de acordo com pesquisa divulgada em 2017. Ao entrar na universidade, os casos diminuem, mas ainda há registros expressivos. A pesquisa "Bullying, Preconceito e Desempenho Escolar: Uma Nova Perspectiva”, de 2017, mostra que em média 10% dos alunos praticam ou sofrem bullying no ensino superior, contra mais de 20% no ensino médio.

Segundo a Diretora da Escola de Gestão Pública, Jurídica, Política e Segurança da Uninter, prof.ª Drª Débora Veneral, com os frequentes casos de assédio moral ao professor e o bullying no ambiente da IES, é importante que advogados estejam preparados para responder com segurança qual o papel da instituição. “As instituições de ensino e seus educadores precisam ter claras suas responsabilidades, assim como os alunos devem saber quais são seus deveres, para que prevaleça harmonia e o êxito nas relações educacionais. Aí está a importância do debate sobre as medidas de conscientização, diagnose e prevenção da violência nos ambientes acadêmicos”, avalia Débora.

No encontro, profissionais serão convidados a refletir sobre a responsabilidade da IES à medida em que funcionam, também, como um ambiente mediador de relações, muitas delas de conflito e violência. “Muitos profissionais ainda não sabem lidar com questões jurídicas pedagógicas. Isso prejudica ambas as partes: quem procura a prestação jurisdicional, o aluno, e a Instituição de Ensino”, finaliza a gerente juridíca Shekying Ling.

Detalhes

Data: 16 e 17 de abril

Local: Campus Garcez - do Centro Universitário Internacional (Av. Luiz Xavier, 103, Centro)

Horário: 9h às 21h (1º dia); 9h às 17 (2º dia)

Inscrições: R$150 para profissionais, R$50 para universitários, isento para associados Abrade

A ficha de inscrição está disponível no site do evento: 
https://goo.gl/j3tnLS

segunda-feira, 9 de abril de 2018

‘Educar na curiosidade’: um bate-papo com Catherine L’Ecuyer


“Passamos o primeiro ano da vida de uma criança ensinando-a a caminhar, mas o resto de sua vida a se calar e se sentar. Tem alguma coisa errada aí”. Essa frase de impacto foi dita por Neil de Grasse Tyson, um astrofísico americano, e está presente no livro Educar na Curiosidade: A Criança como protagonista da sua Educação, escrito por Catherine L’Ecuyer – uma advogada canadense que atualmente vive em Barcelona e realiza palestras educacionais.

Dedicada para pais e professores, a obra fala sobre a importância da curiosidade na infância, discute o vício das crianças pela tecnologia, chama a atenção para o perigo dos estímulos em excesso e reforça as relações afetivas que os pequenos desenvolvem com os cuidadores. Em entrevista exclusiva ao Bebê.com.br, a autora falou sobre todos esses tópicos. Confira a seguir:

Cada vez mais os pequenos estão dependentes da tecnologia. Quais são as consequências desse hábito?

Catherine L’Ecuyer (C.L.): As crianças nascem com uma virtude maravilhosa: a curiosidade. Elas têm o desejo interior de descobrir, de aprender e isso é algo ativo, não passivo. Quando os pequenos ficam na frente das telas, eles se tornaram passivos. Dessa forma, os seus sentidos ficam saturados e eles se sentem cada vez mais aborrecidos, ansiosos e viciados nessas estimulações externas.
Desde cedo os pais estimulam os filhos e ficam frustrados quando eles não correspondem às suas expectativas – como andar ou falar no tempo em que as pessoas consideram correto.
O excesso de estímulos pode ser prejudicial?

C.L.: O movimento e a linguagem simplesmente se desenvolvem por meio do contato com a realidade – eles não precisam ser estimulados. A criança necessita de um ambiente normal que permita que ela desenvolva essas habilidades, mas é contraproducente bombardeá-la com estímulos que antecipam as etapas. Quando dizem “é melhor aprender na primeira infância”, isso é um mito, uma má interpretação de uma literatura neurocientífica. Não há períodos críticos na vida dos pequenos, mas, sim, sensíveis.

Educar na curiosidade consiste em respeitar sua liberdade interior, contando com a criança no processo educacional; respeitar seus ritmos; fomentar o silêncio, a brincadeira livre; respeitar as etapas da infância; rodear a criança de beleza, sem saturar os sentidos

A rotina é importante para os bebês e as crianças? Você acredita que, de certa forma, ela pode aliená-los?

C.L.: Montessori dizia que a rotina é o segredo da perfeição. Acredito que a rotina deixa de ser boa quando é mecânica – até mesmo porque o que faz sentido na infância é o olhar do cuidador. As crianças olham para as coisas com os olhos das pessoas que cuidam delas e é por esse motivo que o olhar que temos em relação ao mundo é tão importante.

Muitos pais e educadores seguem a premissa de que é necessário oferecer atividades para os pequenos o tempo todo. É por esse motivo que eles estão se tornando impacientes?

C.L.: As crianças têm tudo – até antes mesmo de pedirem. Elas não estão acostumadas a esperar e nós não as ajudamos a gerenciar as suas frustrações. Por isso, devemos voltar para as atividades mais tranquilas, que desenvolvem a paciência, como a pesca, a descoberta dos insetos no bosque e o cuidado com o jardim.


A criança deve ter espaço para pensar, sem receber sempre tudo mastigado. Ao contrário do que argumenta o modelo mecanicista, é bom que as perguntas que fazem nossos filhos, às vezes, fiquem sem respostas


Algumas famílias matriculam os filhos na escola no início da vida – aos 6 meses, 1 ano, 2 anos – porque acreditam que o ambiente de casa nem sempre contribui para desenvolvimento infantil. O que você acha dessa visão?

C.L.: A decisão de colocar a criança na escola pertence aos pais e isso deve ser respeitado, mas não é correto acreditar que ela deve ir para o colégio o mais rápido possível porque precisa disso.
Normalmente, os pequenos começam a frequentar o jardim de infância porque seus pais trabalham. Vale lembrar que há estudos que comprovam que, antes dos 2 anos, o mais importante é que a criança receba o cuidado e o afeto que vêm do relacionamento de um cuidador primário – no caso os pais – e não na estimulação sensorial excessiva.

O que é preciso ter em mente na hora de escolher a primeira escola para o filho?

C.L.: Na etapa infantil, é muito importante que os professores sejam sensíveis às necessidades básicas dos alunos e também que tenham poucas crianças por classe, para que elas possam desenvolver um vínculo de confiança com os seus mestres.


As crianças vivem no presente com uma intensidade impressionante. Não vivem para cumprir obrigações, não pensam em horários ou lista de afazeres. Não sentem falta do passado, não entendem o conceito de economia de tempo e não vivem de ‘tomaras’


Os professores educam com curiosidade? Você acha que eles foram treinados para isso?

C.L.: A educação na curiosidade não é um método, mas uma filosofia de vida, uma maneira de ver a criança. E o mais importante de tudo é o olhar do professor – a sua atitude em relação ao aluno e ao mundo – do que todas as metodologias educacionais utilizadas em sala de aula.

Como impor limites e ao mesmo tempo estimular a criatividade e a liberdade? Essa não parece ser uma tarefa muito fácil…

C.L.: Não acho que essas questões sejam incompatíveis. Maria Montessori já dizia: “Nossos filhos não fazem tudo o que querem, mas querem fazer tudo o que fazem”.
 Ficha técnica


© Divulgação livro educar na curiosidade 
Livro: Educar na Curiosidade – A Criança Como Protagonista da sua Educação
Autora: Catherine L’Ecuyer
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Editora: Fons Sapientiae
Número de Páginas: 160
Preço sugerido: R$ 32,90

domingo, 8 de abril de 2018

Professor temporário não tem direito a licença para candidatura política

Em um contrato com prazo determinado, não é razoável a concessão de licença a servidor para que ele concorra a um cargo eletivo, já que o afastamento provocaria uma nova contratação, acarretando mais despesas ao município. Com esse entendimento, a 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina negou provimento ao recurso de um professor.

O docente temporário abriu uma reclamação trabalhista contra o município de Joinville na qual alegou ser direito do empregado, independentemente do vínculo permanente ou temporário, a concessão da licença para candidatura política. O processo pedia a anulação da dispensa por justa causa — em razão de faltas injustificadas — e o pagamento da remuneração do período restante do contrato de trabalho temporário, além de indenização por dano moral.

A 1ª Vara da Fazenda Pública da cidade negou o pagamento da licença remunerada, mas condenou o município ao pagamento do 13º salário, férias e terço constitucional proporcional ao período em que o autor trabalhou. Após apelação por parte do funcionário, o TJ-SC seguiu o entendimento dado em 1ª instância e negou provimento ao recurso.

"A admissão de afastamento temporário poderia conduzir à situação de transcurso do prazo contratual sem que o servidor tenha efetivamente atuado, o que, obviamente, contraria o interesse público", afirmou o desembargador Luiz Fernando Boller, relator do caso.

Além disso, "como o servidor é contratado por prazo determinado em função de uma necessidade temporária de excepcional interesse público, o afastamento temporário inviabiliza o alcance dessa finalidade, na medida em que o próprio decurso do tempo tornaria inócua a atuação da Administração Pública", destacou, ao citar decisão monocrática do TSE sobre a matéria.


Fonte: Revista Conjur, em 24/03/2018.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Educação cresce em 58% no número de fusões e aquisições

No acumulado de 2017, o número de fusões e aquisições no setor de educação registrou 30 operações, 11 a mais em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado consta na pesquisa realizada pela KPMG.

As transações domésticas cresceram 30%, passando de 17 para 22. No mesmo ritmo de crescimento estão empresas brasileiras adquirindo de estrangeiros no exterior (CB2) e empresas brasileiras adquirindo de estrangeiros no Brasil (CB3), registrando 2 e 5 operações, respectivamente.

"Este crescimento está bastante associado ao maior apetite dos investidores para a aquisição de escolas com atuação no ensino médio e fundamental e ainda cursos técnicos e de idiomas", avalia o sócio da KPMG no Brasil, Luis Motta.


Fonte: Site: kpmg.com/BR